Arruda is an economist and veteran popular educator, who has worked closely with Brazilian labour, co-operatives and solidarity economy movements for many years. Arruda has served as an advisor to local governments and as visiting professor in universities in Brazil and abroad. He is a facilitator for the Gaia Education Program and is active in the Ecovillage and the Transition Towns movements. He is also active in the Jubilee South Network, working on issues related to the debt crisis and alternatives, economy and ecology, public budget management and socio-economic development planning.
Educação e economia do amor e as nove dimensões do FIB
O amor nasce do entendimento de que não podemos ser plenamente nós sem
o Outro. Amar pressupõe, portanto, plena aceitação e aprendizado. Exige
de nós total apoio e cuidado para com o Outro. Um cuidado que não se
limita ao Outro humano, mas abrange a Terra e o Cosmos. Sem a práxis
amorosa, toda ideologia, toda filosofia e toda retórica são vãs.
Economia, em grego, quer dizer gestão da casa. Todos precisamos
gerir e cuidar de cada uma das casas que habitamos, bem como aspirar ao
desenvolvimento integral. Mas isso nada tem a ver com o acúmulo de bens
materiais. O objetivo último da atividade econômica é o mais-ser
(Teilhard) e não o bem-estar. Se a economia solidária é a construção do
bem-estar para todos, a educação solidária é a construção permanente do
mais-ser, do impulso permanente de ir sempre mais além.
É nesse sentido que o índice Felicidade Interna Bruta (FIB) do
Butão oferece um cenário possível para uma economia do amor, pois toma
como referência o ser humano & pessoa e sociedade & e o sentido
maior da sua existência, a felicidade. Seus indicadores cobrem nove
campos da vida familiar e social. Cabe a nós pesquisar como melhor
definir Felicidade na nossa cultura e desenhar os melhores indicadores.
1. Padrão de vida ou desenvolvimento socioeconômico. O FIB
identifica a proporção de padrão de vida digno que a sociedade logrou
alcançar para toda a população, e as carências a preencher através de
políticas públicas e de uma estrutura equitativa e sustentável de
consumo, produção e distribuição. Padrão de vida digno é aquele que
permite a satisfação das necessidades básicas para todos. Concluído o
índice FIB, abre-se outra etapa em que tais carências passam a fazer
parte do plano de desenvolvimento socioeconômico.
2. Boa governança. A boa governança é a sábia gestão do poder
econômico e político que garanta as condições materiais, sociais,
culturais e ecológicas de viver em harmonia, alegria, paz e Felicidade.
3. Educação. Nesse campo há que se pesquisar elementos como
abrangência, qualidade e alcance da educação para estabelecer o FIB.
4. Saúde. O FIB considera a autogestão da saúde individual e
comunitária. Para isso a medicina preventiva tem lugar de relevo, assim
como as atividades produtivas da saúde.
5. Resiliência Ecológica. O FIB propõe que se encontre o justo
equilíbrio entre este campo de indicadores e o do padrão de vida,
sobretudo no aspecto da soberania e segurança alimentar.
6. Diversidade Cultural. No Brasil a diversidade cultural resulta
de uma dolorosa construção histórica: genocídio colonial, escravismo,
barbárie contra as populações autóctones, imigração maciça no
pós-guerras. Neste campo a homogeinização e a incessante competição são
substituídos pelo princípio da complementaridade do diverso.
7. Vitalidade Comunitária. Como ser social, relacional e
interdependente que se realiza na comunicação e na cooperação, o ser
humano necessita de vitalidade comunitária para ser feliz. Sem carinho,
afeto e amor o Ser Humano se desfigura, adoece, morre... ou passa a
matar.
8. Uso equilibrado do tempo. Ao FIB interessa saber se estamos
usando nosso tempo de modo equilibrado. O tempo disponível, como toda
outra riqueza, é função do modo de distribuição de todas as riquezas de
uma sociedade. Tempo é desenvolvimento mental, psíquico, espiritual!
Nesta ótica, tempo é riqueza!
9. Bem estar psicológico e espiritual. O bem estar psíquico e
espiritual consiste em vivenciar encontros gratificantes entre pessoas,
ter o sentido de comunhão com os outros e com o meio natural, o sentido
de pertencimento, o acesso à tradição e à integridade cultural e a paz
com justiça e equidade.



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