O impacto da ação das milícias em relação às políticas públicas de segurança no Rio de Janeiro
Crime e Globalização: Documentos de debate, Março de 2010
Este documento explora um fenômeno nos episódios recorrentes de violência urbana no Rio de Janeiro: o surgimento das milícias – grupos bem organizados de vigilantes particulares formado por policiais, bombeiros e agentes penitenciários desonestos, demitidos ou aposentados. O documento demonstra que o papel das milícias é parte de um problema de insegurança pública que tem raízes muito mais profundas e históricas.
Paulo Jorge Ribeiro e Rosane Oliveira descrevem um cenário preocupante nos assentamentos urbanos informais que podem ser peculiares ao Rio, mas também representam desenvolvimentos em segurança urbana que se espalham Brasil afora.
Em muitas mega-cidades ingovernáveis pelo mundo, o estado geralmente não consegue fornecer lei e ordem e satisfazer as necessidades básicas de segurança, então é substituído por uma grande gama de dispositivos ilegais e alternativos de segurança, criando um vácuo no poder e na governança. O monopólio do estado sobre o uso legítimo da força é desgastado e “mercados de violência” ou “mercados de força” emergem como um modelo de regulamentos da segurança.
Coma a ausência do domínio da lei, proteção e governança, a segurança deixa de ser um bem público e se transforma em um produto privado. O contrato social entre estado e o cidadão, expresso pelos pagamentos de impostos e pela proteção implícita em um monopólio eficaz do uso legítimo da força, é seriamente enfraquecido.
As milícias racionalizam sua violência ao fingir fornecer segurança às vizinhanças e remover os traficantes e a violência causada pela competição entre elas sobre as zonas livres de tráfico de drogas. Sua “legitimidade” vem da ausência de aplicação de uma lei regular que supostamente restaura a ordem pública.
Ribeiro e Oliveira mostram que as milícias têm outro argumento, também. A meta final das milícias é o lucro, cobrando impostos dos habitantes pela segurança, pelo comércio e serviços. Este argumento econômico tem causado disputas violentas entre milícias diferentes. A perversa realidade que o Rio de Janeiro está testemunhando hoje é que – além da violência entre o tráfico e a polícia – as milícias ainda adicionaram outra onda de violência; de milícias contra o tráfico, milícias contra milícias e milícias contra polícia.
Sobre los autores
Tom Blickman
Tom Blickman (1957) es investigador y periodista independiente. Antes de trabajar en el TNI, Tom formaba parte activa de los movimientos okupas y de solidaridad de Amsterdam, ciudad en la que reside. Ha trabajado también en Bureau Jansen & Janssen, un instituto de investigación especializado en cuestiones de inteligencia y policía. Actualmente, como investigador del programa Drogas y Democracia del TNI, está especializado en políticas internacionales de fiscalización de estupefacientes y delincuencia organizada.
Últimas publicaciones de Peace & Security
El nexo entre drogas y violencia en el Triángulo del NorteLos países del Triángulo del Norte conforman hoy una de las regiones más violentas del mundo. Las tasas de violencia son más altas que en México, así como la actividad de las organizaciones dedicadas al narcotráfico. Este informe examina en qué medida el tráfico de drogas es responsable de esta violencia. |
Desafiando al imperio (ebook)En este libro electrónico gratuito, Phyllis Bennis analiza el auge del unilateralismo estadounidense y la doctrina de la guerra preventiva, centrándose especialmente en los casos de Iraq e Israel/Palestina, y examina los retos y las oportunidades para reivindicar las Naciones Unidas como parte del movimiento mundial por la paz. |
Casus belli: cómo los Estados Unidos venden la guerra (ebook)Este libro electrónico gratuito analiza las diversas excusas que se han esgrimido para ir a la guerra durante las últimas décadas de crecientes ambiciones imperialistas por parte de los Estados Unidos. |
NeoConÓpticoUn informe del TNI revela que los principales contratistas de defensa y tecnología de Europa están ganando miles de millones de euros con un programa de 'investigación en seguridad' de la UE. |



